E se hoje nos livrássemos de fadigas,
cuidados e tormentos, de tudo o que enruga a pele que, por ora, jovem se
conserva, e sucumbíssemos ao repouso, para que o trabalho não se habitue a ver
em nós escravos dos seus incessantes pedidos?
Sabemos que muitos dos corpos que se
encarregam de conduzir a lavoura com consistência, honestidade e integridade
frequentemente colocam objeções ao descanso, por muito necessário que se
revista e merecido lhes seja. Vêem nele uma não sei que fraqueza, uma tibieza de
espírito que não emparelha satisfatoriamente com o pundonor que cunha a sua
conduta.
Porque achamos que a maioria dos mortais
merece o sossego e tranquilidade que uma poucas horas de lazer proporcionam, a
nossa reflexão de hoje, lacónica que pareça, esconde, porventura, o tumulto que
a autoanálise no âmago, incrustado de aparente indiferença, a custo procura manter
tão serena quanto a consciência dos levianos. Quando se ergue o espelho e nos
colocamos frente a uma perspetiva diferente, afigura-se uma imagem à qual os
nossos olhos, geralmente, são cegos.
Como muitas boas pessoas fizeram connosco,
permitam-nos os leitores cônscios, que o façamos convosco, e exibamos a
reflexão do vosso eu.
Desta forma, terminamos com a questão:
“Mereço
descansar?”

Sem comentários:
Enviar um comentário