sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Que Ainda Não Foi Escrito: Preciso De Te Escutar

Fala-me! Estou perdido na névoa das minhas dúvidas, envolto nas trevas da incerteza. Conquistam a pouca claridade que desesperadamente peleja, numa batalha desequilibrada, com mais vontade que habilidade, pelo pundonor a que a saudade obriga. Hesitações que encontram o fim de uma linha, achada infantilmente sem paragem em mim. Mas aí o medo construiu a sua última estação. Abre portas às preocupações que assomam o coração e petrificam o vigor da reação. Na manhã seguinte, se o relógio parado não estiver, dá sinal de marcha, badala a partida de mais um vil comboio, que no crespúsculo, regressa fortalecido pela passagem de mais um dia.

Fala-me! Consola esta alma que outrora não foi capaz de te entender; esta alma que no momento em que encontrou a tua sabia que lhe iria pertencer… para sempre!
Devolve-lhe o sorriso pelo qual te apaixonaste na noite em que o arrancaste pela primeira vez. O sorriso alvo de criança inocente, espantosamente enamorada pelos estranhos esgares do teu rosto, reflexo inato do amor.
E as nossas gargalhadas? A minha saía enrolada, ingénua e contagiante. Via-se secundada pela tua, e juntas, raptavam as lágrimas de qualquer sala pela que retumbassem. Manifestação da cumplicidade a transbordar em nós.
No fragor da expressão éramos alvos de miradas carregadas de inveja e inquisitivas das razões que nos levavam a produzi-la; e a cada mau-olhado que sobre nós recaía repicava ainda mais ruidoso o já sonoro sorriso.
Por que não nos ouvimos agora? Perdi já algo nalguma etapa desta minha, mal iniciada, jornada? Será que mudei assim tanto? Ou apenas são novas as expressões para os sentimentos de sempre?
No teu olhar tenteio a resposta. Tento escrutinar o porquê do silêncio que entremeia os nossos corpos.

Fala-me! Agora sou capaz de te perceber. Podes não dizer uma palavra, mas fala-me! Corresponde esta minha necessidade de te ouvir com um olhar, com um suspiro, um sussurro… uma lágrima.
Não me deixes nesta estação em ruínas. Perdido, desalentado e sem saber que comboio me reconduz a ti.

Neste sítio reside o silêncio; pode que se o souber escutar, segrede o trilho que me leve a nós. Novamente!

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