Fala-me! Estou perdido na névoa das minhas
dúvidas, envolto nas trevas da incerteza. Conquistam a pouca claridade que
desesperadamente peleja, numa batalha desequilibrada, com mais vontade que
habilidade, pelo pundonor a que a saudade obriga. Hesitações que encontram o
fim de uma linha, achada infantilmente sem paragem em mim. Mas aí o medo construiu
a sua última estação. Abre portas às preocupações que assomam o coração e
petrificam o vigor da reação. Na manhã seguinte, se o relógio parado não
estiver, dá sinal de marcha, badala a partida de mais um vil comboio, que no
crespúsculo, regressa fortalecido pela passagem de mais um dia.
Fala-me! Consola esta alma que outrora não
foi capaz de te entender; esta alma que no momento em que encontrou a tua sabia
que lhe iria pertencer… para sempre!
Devolve-lhe o sorriso pelo qual te
apaixonaste na noite em que o arrancaste pela primeira vez. O sorriso alvo de criança
inocente, espantosamente enamorada pelos estranhos esgares do teu rosto,
reflexo inato do amor.
E as nossas gargalhadas? A minha saía
enrolada, ingénua e contagiante. Via-se secundada pela tua, e juntas, raptavam
as lágrimas de qualquer sala pela que retumbassem. Manifestação da cumplicidade
a transbordar em nós.
No fragor da expressão éramos alvos de
miradas carregadas de inveja e inquisitivas das razões que nos levavam a
produzi-la; e a cada mau-olhado que sobre nós recaía repicava ainda mais
ruidoso o já sonoro sorriso.
Por que não nos ouvimos agora? Perdi já algo
nalguma etapa desta minha, mal iniciada, jornada? Será que mudei assim tanto?
Ou apenas são novas as expressões para os sentimentos de sempre?
No teu olhar tenteio a resposta. Tento escrutinar
o porquê do silêncio que entremeia os nossos corpos.
Fala-me! Agora sou capaz de te perceber.
Podes não dizer uma palavra, mas fala-me! Corresponde esta minha necessidade de
te ouvir com um olhar, com um suspiro, um sussurro… uma lágrima.
Não me deixes nesta estação em ruínas.
Perdido, desalentado e sem saber que comboio me reconduz a ti.
Neste sítio reside o silêncio; pode que se o
souber escutar, segrede o trilho que me leve a nós. Novamente!

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