‘Se a
noite sobre ti cair, aguenta, pois, não tarda, o dia virá ajudar-te a suportar
o seu peso.’
Quantas vezes damos por nós desalentados,
inertes e pouco firmes no espírito guerreiro e vigoroso que, no mundano
dia-a-dia, de não caber em nós, contagia quem connosco troca, em sessão improvisada,
umas amenas palavras?
Diálogo tão real, claro e honesto, sem
maldade ou intenção oculta, que transparece as raízes que originaram e sustentam
a índole rigorosa e doce da personalidade.
Mera idiossincrasia pessoal ou distintos
traços de uma família?
Poderiamos debater a posição a adotar. No
entanto, sabemo-nos, desde o início, partidários de uma das fações; e ainda que
não revelemos qual canta melhor ao nosso ouvido, deixamos um lacónico
comentário sobre ambas.
Se de uma marca pessoal se tratar não haverá,
no tronco do qual derivou quem a revela, indícios de tal característica haver
existido. Caberá somente a cada indivíduo receber as reprimendas e os gozos do
que desenvolveu.
Porém, se carregarmos, em e na consciência o
cunho de um nome, se no tronco estiver cravada a lembrança de um legado, a
recompensa é oferta do passado e o castigo a ausência futura.
A todo o Homem lhe é permitido fraquejar; mas
quando um se demarcou sempre dos restantes humanos por lidar com as situações
infaustas com a espada em punho e a cabeça erguida, verá que as fraquezas, após
sofrerem os duros golpes que a sua índole, pela lhaneza da memória e melancolia
da saudade, desfere, não sustentarão o olhar bélico e curvar-se-ão, venerando,
quem bravamente as arrostou.
Este respeito merece quem, mesmo vendo as
mãos trémulas, não as esconde; quem, mesmo vendo o seu espírito recear, faz uso
desse medo como combustível para atear o fogo incandescente que trará luz às
trevas que a incerteza raposina depositou num coração enfraquecido.
Não julgueis que falamos com intenções ocas.
Fala quem viu que quando a poeira da batalha assenta, acham-se no que se tinha
por debilidade a tenacidade e a força que ergue o guerreiro para nova batalha.
E o curioso… não aconteceu apenas numa só
geração.
Guerreiros destes já não se alimentam de pão
ou água, mas do orgulho de um nome. De um nome, à sombra do qual não caem,
decrépitos e ociosos – afinal não foi a isso que lhes ensinaram -, mas pelo
qual trabalham sempre para o manter, viçoso e imponente, aos ouvidos de quem o
escuta.
Se brotaste do solo a quem o esforço deve a
sua definição, e que a própria humildade tomou como exemplo, só podes crescer
para perpetuar essas condições.
Lidemos pela alegria do pesar, por nossa alma,
onde a sentimos, por nosso corpo, que a esconde, e pela delicada linhagem de
pelejadores da qual nascemos.

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