Começa a
vacilar a vontade de escrever. Atribuímos este estado, sobretudo, à falta de
temas que nos movam a executar este distinto afazer.
Os raios
de sol, que a janela do escritório cruzam, decompondo-se, sobre a escrivaninha,
num harmonioso arco-íris, deveriam trazer ao sombrio escaninho da nossa
imaginação alguma luz capaz de fazer medrar a planta que dá a colher como fruto
algum plano que desafaime a fome de ideias por que atravessamos. Ou o tempo de
estio seca qualquer planta que tencione ganhar o vivo verde da vegetação sadia
ou o terreno de cultivo é, por descuido do seu senhor, baldio.
E
não temos de trazer etiquetada a vergonha de assumir tal situação. Não nos
sentimos tentados a dizê-lo com os lábios semicerrados – ou semiabertos
dependendo da perspetiva filosófica de cada um - na tentativa de emascarar que
a nossa resolução atinente às férias, à medida que nos aproximamos do seu
termo, se vai esmorecendo.
Talvez se
trate de uma associação que o nosso cérebro faz: setembro aproxima-se, o tempo
a partir desse mês tornar-se-á escasso e assim, como que antecipando uns dias o inevitável, adverte que a frequência das publicações diminuirá – ainda que
todos saibamos que a última oração encripta um “até para o ano!”.
Todavia,
o auspício declarado só se verá concretizado quando o vigor da nossa estrela,
desmaiado estiver, quando as folhas de tons tanados se cobrirem, prostrando-se
no solo, como que convidando à entrada de uma nova estação e quando as
trombetas tinirem sons de boas-vindas a mais um ano escolar.
Até lá,
até esse dia nos badalar a campainha de casa, a possibilidade de fazermos
companhia e proporcionar uma casquinada a algum dos leitores anima-nos a
completar este, autoproposto, repto.
Assim
sendo, imergimo-nos no espírito olímpico e tal atleta que, esforçando-se ao
limite das suas forças para rematar a corrida, também nós, munidos da
tenacidade de escritor, almejamos concluir a nossa “maratona”.
Aproveitamos,
já que tocámos no tema “Jogos Olímpicos” (JO), para o desenvolver nesta
reflexão. Desde já, advertimos que não somos especialistas em nenhuma das
competições olímpicas nem pretendemos, deslealmente, pousar como tal. No
entanto, somos seres humanos e reconhecemos que alguns dos eventos ocorridos no
Rio de Janeiro, servem para arrotear os nossos corações para as jornadas de paz
que esta competição deve constituir.
Os Jogos
Olímpicos têm a sua origem na Grécia Antiga sem que uma causa concreta achada
seja para justificar a sua criação. Acredita-se que a sua constituição seja
resultado dos princípios e valores gregos que indicavam que uma boa forma
física e disciplina mental honrariam e deixariam Zeus satisfeito.
Mesmo
sendo um conjunto de disputas onde concorre a competitividade, o período em que
ocorria era cunhado pela paz e quietação dos ânimos entre as nações envolvidas
nas Olimpíadas.
Este
período era tão importante e os seus fundamentos tão respeitados que a maioria
das cidades – entre elas Sparta,
uma cidade fortemente marcada por uma política bélica estrita – declaravam
tréguas e só enviavam os seus guerreiros para a liça após o termo da competição.
Destes
JO’2016, enumeramos alguns dos momentos em que o Homem desceu da sua própria
conceção enquanto ser infalível e se elevou ao pódio como ser humano.
- Numa
das inúmeras corridas que as Olimpíadas acolhem, uma corredora americana sofreu
uma queda, arrastando consigo uma das competidoras neozelandesas resultando
numa aparatosa situação. Após este episódio, a atleta da Nova Zelândia ficou
lesionada sem se conseguir levantar do chão. A atleta americana só continuou a
sua prova após assegurar-se da segurança da sua companheira. Ambas estarão na
final.
- Um
atleta francês de salto à vara é vaiado pelos “adeptos” presentes, na cerimónia
de entrega de medalhas que consagrou o atleta “da casa” com o ouro olímpico. O
competidor francês, prata no salto à vara, no momento em que recebe a medalha,
é assobiado e insultado pelo público presente, ao ponto de não conter as
lágrimas. O atleta brasileiro, campeão olímpico, pediu à assistência que
respeitasse o colega e, quando mais ninguém o fazia, este aplaudiu o atleta
francês.
Ficam
entregues alguns exemplos que espelham o espírito que os jogos de união desejam
impregnar na medula dos seus seguidores. Como estes, muitos outros poderiam ser
expostos. Exemplos que deixam a nu o que o artificie desta competição desejava
estabelecer.
Ainda
que alguns dos atletas que demos como exemplo tenham ganho uma medalha ou ainda
estejam a competir por uma, outros, que mostraram a coragem, o arrojo, a
ousadia de, em tempos como os que por nós passam, assumir atitudes e
comportamentos que desmantelam a ideia de um mundo congelado na humildade, na
gratidão e na amizade, somente capaz de crescer adobado pelo ódio, pela
discórdia e pelo terror.
Muitos
deles não estão no pódio por se demarcarem dos restantes pelas competências
físicas, pelos records mundiais ultrapassados ou pela excelência com que
executaram as suas provas; mas sim pela humanidade que trazem às pistas de
atletismo, pela amizade que emerge das piscinas olímpicas e pelo exemplo que
deixam na arena dos pavilhões desportivos.
Estes
saem dos JO’2016 com a dourada medalha de campeões dos Homens, felizes por
terem imprimido os seus nomes nos livros de modelos a seguir.
Faustos
são aqueles que transformam a vida dos outros com gestos simples e
impercetíveis mas que abrigam um significado histórico com repercussões
tremendamente positivas.
Faustos
são aqueles que não olham unicamente ao seu propósito mas que sabem englobar,
no seu projeto, o sorriso dos outros.
Faustos
são aqueles que baixam os olhos para auxiliar quem, nos seu olhar, encontra
alento e, a nas suas mãos, apoio.
Meninas e
meninos, este é o guia para se ser… vencedor.

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