sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Reflexões De Sexta À Noite: Guia Para Se Ser...Vencedor



Começa a vacilar a vontade de escrever. Atribuímos este estado, sobretudo, à falta de temas que nos movam a executar este distinto afazer.
Os raios de sol, que a janela do escritório cruzam, decompondo-se, sobre a escrivaninha, num harmonioso arco-íris, deveriam trazer ao sombrio escaninho da nossa imaginação alguma luz capaz de fazer medrar a planta que dá a colher como fruto algum plano que desafaime a fome de ideias por que atravessamos. Ou o tempo de estio seca qualquer planta que tencione ganhar o vivo verde da vegetação sadia ou o terreno de cultivo é, por descuido do seu senhor, baldio.

 E não temos de trazer etiquetada a vergonha de assumir tal situação. Não nos sentimos tentados a dizê-lo com os lábios semicerrados – ou semiabertos dependendo da perspetiva filosófica de cada um - na tentativa de emascarar que a nossa resolução atinente às férias, à medida que nos aproximamos do seu termo, se vai esmorecendo.
Talvez se trate de uma associação que o nosso cérebro faz: setembro aproxima-se, o tempo a partir desse mês tornar-se-á escasso e assim, como que antecipando uns dias o inevitável, adverte que a frequência das publicações diminuirá – ainda que todos saibamos que a última oração encripta um “até para o ano!”.

Todavia, o auspício declarado só se verá concretizado quando o vigor da nossa estrela, desmaiado estiver, quando as folhas de tons tanados se cobrirem, prostrando-se no solo, como que convidando à entrada de uma nova estação e quando as trombetas tinirem sons de boas-vindas a mais um ano escolar. 
Até lá, até esse dia nos badalar a campainha de casa, a possibilidade de fazermos companhia e proporcionar uma casquinada a algum dos leitores anima-nos a completar este, autoproposto, repto.
Assim sendo, imergimo-nos no espírito olímpico e tal atleta que, esforçando-se ao limite das suas forças para rematar a corrida, também nós, munidos da tenacidade de escritor, almejamos concluir a nossa “maratona”.

Aproveitamos, já que tocámos no tema “Jogos Olímpicos” (JO), para o desenvolver nesta reflexão. Desde já, advertimos que não somos especialistas em nenhuma das competições olímpicas nem pretendemos, deslealmente, pousar como tal. No entanto, somos seres humanos e reconhecemos que alguns dos eventos ocorridos no Rio de Janeiro, servem para arrotear os nossos corações para as jornadas de paz que esta competição deve constituir.
Os Jogos Olímpicos têm a sua origem na Grécia Antiga sem que uma causa concreta achada seja para justificar a sua criação. Acredita-se que a sua constituição seja resultado dos princípios e valores gregos que indicavam que uma boa forma física e disciplina mental honrariam e deixariam Zeus satisfeito.
Mesmo sendo um conjunto de disputas onde concorre a competitividade, o período em que ocorria era cunhado pela paz e quietação dos ânimos entre as nações envolvidas nas Olimpíadas.
Este período era tão importante e os seus fundamentos tão respeitados que a maioria das cidades – entre elas Sparta, uma cidade fortemente marcada por uma política bélica estrita – declaravam tréguas e só enviavam os seus guerreiros para a liça após o termo da competição.

Destes JO’2016, enumeramos alguns dos momentos em que o Homem desceu da sua própria conceção enquanto ser infalível e se elevou ao pódio como ser humano.

- Numa das inúmeras corridas que as Olimpíadas acolhem, uma corredora americana sofreu uma queda, arrastando consigo uma das competidoras neozelandesas resultando numa aparatosa situação. Após este episódio, a atleta da Nova Zelândia ficou lesionada sem se conseguir levantar do chão. A atleta americana só continuou a sua prova após assegurar-se da segurança da sua companheira. Ambas estarão na final.

- Um atleta francês de salto à vara é vaiado pelos “adeptos” presentes, na cerimónia de entrega de medalhas que consagrou o atleta “da casa” com o ouro olímpico. O competidor francês, prata no salto à vara, no momento em que recebe a medalha, é assobiado e insultado pelo público presente, ao ponto de não conter as lágrimas. O atleta brasileiro, campeão olímpico, pediu à assistência que respeitasse o colega e, quando mais ninguém o fazia, este aplaudiu o atleta francês.

Ficam entregues alguns exemplos que espelham o espírito que os jogos de união desejam impregnar na medula dos seus seguidores. Como estes, muitos outros poderiam ser expostos. Exemplos que deixam a nu o que o artificie desta competição desejava estabelecer.
 Ainda que alguns dos atletas que demos como exemplo tenham ganho uma medalha ou ainda estejam a competir por uma, outros, que mostraram a coragem, o arrojo, a ousadia de, em tempos como os que por nós passam, assumir atitudes e comportamentos que desmantelam a ideia de um mundo congelado na humildade, na gratidão e na amizade, somente capaz de crescer adobado pelo ódio, pela discórdia e pelo terror.
Muitos deles não estão no pódio por se demarcarem dos restantes pelas competências físicas, pelos records mundiais ultrapassados ou pela excelência com que executaram as suas provas; mas sim pela humanidade que trazem às pistas de atletismo, pela amizade que emerge das piscinas olímpicas e pelo exemplo que deixam na arena dos pavilhões desportivos.
Estes saem dos JO’2016 com a dourada medalha de campeões dos Homens, felizes por terem imprimido os seus nomes nos livros de modelos a seguir.

Faustos são aqueles que transformam a vida dos outros com gestos simples e impercetíveis mas que abrigam um significado histórico com repercussões tremendamente positivas.
Faustos são aqueles que não olham unicamente ao seu propósito mas que sabem englobar, no seu projeto, o sorriso dos outros.  
Faustos são aqueles que baixam os olhos para auxiliar quem, nos seu olhar, encontra alento e, a nas suas mãos, apoio.


Meninas e meninos, este é o guia para se ser… vencedor. 

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