terça-feira, 9 de agosto de 2016

Reflexões De Sexta À Noite: A Fé Que Nos Irmana


No dia 18 de julho encetámos uma expedição que, dificilmente, seremos capazes de permitir que caia no esquecimento ou que, por languidez do espírito, permitiremos que não seja concluída. Não puxará pela nossa capacidade de resistência física, não exigirá os mais brilhantes velejadores, mas reclamará para si toda a nossa firmeza de carácter, de modo a que nos mantenhamos inabaláveis na fé que professamos.
No já mencionado dia, partimos para as Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia.

Na Polónia, fomos recebidos por um povo que, na mente, suporta o sofrimento, a dor, o sacrifício… a morte mas que, no relicário incrustado no peito, guarda a paixão, o amor, a fé em Deus… a vida.

Um povo que não tem medo de manifestar ao mundo a sua convicção em Cristo vivendo o catolicismo com energia nos músculos, alegria no sorriso e candura no olhar.

Uma forma de viver a fé que surpreende, prende, convence e vence.
Sabemos que incorremos no pecado da inveja ao escrever o que se segue. No entanto, acreditamos que este ser-nos-á perdoado pois seria maior falha não admiti-lo quando é merecido: uma forma de viver a fé que invejamos e que gostaríamos de adotar.

Desejamos as danças capazes de arrancar ao maior pé de chumbo um convicto movimento de anca, as músicas que extraem do desafinado a afinação que ao amor encanta (que o amor precisa) e a paixão que enlaça um grupo na amizade que nos irmana a Jesus Cristo.
Queremos liberdade para nos avocarmos como seguidores instruídos da palavra de Deus sem que de olhares maninhos de quem não compreende e não conhece – e que, infelizmente, também não procura fazê-lo – sejamos alvo. Devemos querer não temer essas miradas de quem faz juízos de valor sem perceber e devemos querer o arrojo de aceitar a missão de sermos trabalhadores de Cristo num mundo tão resignado e a transbordar de passividade – clamam saber os inconvenientes que a mudança produz ao humano corpo mas não cuidam do bem que gera nas humanas almas.

É pelo que descrevemos que as JMJ deixam um cunho indelével no coração de quem as vive. Aviva a chama do Espírito Santo em nós!
O escutar cerca de dois milhões de jovens – e não nos referimos a uma juventude cronológica mas a uma espiritual que permite ao organismo mais derribado pela passagem do tempo suportar os longos quilómetros, o calor sincopal e a duvidosa alimentação – a rezar numa coletiva…unidade, de mãos entrelaçadas e de olhos postos e corações entregues ao Céu a oração que nos foi ensinada pelo Filho, gera no nosso espírito a inconformação necessária para iniciar a transformação que o Papa Francisco nos pediu.

Na efemeridade dos corpos e no evo da alma fica gravado o relume que, na miríade de velas, tinha a sua origem mas que no seio de um catolicismo aberto e ponderado encontrou onde produzir o seu efeito. O de, sem fanatismos, esboçar um mundo onde a paz e o amor entre as nações possam ser alcançados, procurando extrair a bondade, a humildade e a humanidade que temos em nós e que o próximo encerra em si.

Escrevemos esta reflexão desde Portugal mas desengane-se quem acredita que já regressámos…ou que algum dia o faremos. Temos uma missão que ninguém pode realizar por nós: a de mudar o mundo para garantirmos o nosso futuro, o futuro da Humanidade.
Esta não foi unicamente uma viagem à Polónia. Foi também uma viagem ao íntimo das nossas convicções.



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