No
dia 18 de julho encetámos uma expedição que, dificilmente, seremos capazes de
permitir que caia no esquecimento ou que, por languidez do espírito, permitiremos
que não seja concluída. Não puxará pela nossa capacidade de resistência física,
não exigirá os mais brilhantes velejadores, mas reclamará para si toda a nossa firmeza
de carácter, de modo a que nos mantenhamos inabaláveis na fé que professamos.
No já
mencionado dia, partimos para as Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia.
Na
Polónia, fomos recebidos por um povo que, na mente, suporta o sofrimento, a dor,
o sacrifício… a morte mas que, no relicário incrustado no peito, guarda a
paixão, o amor, a fé em Deus… a vida.
Um
povo que não tem medo de manifestar ao mundo a sua convicção em Cristo vivendo
o catolicismo com energia nos músculos, alegria no sorriso e candura no olhar.
Uma
forma de viver a fé que surpreende, prende, convence e vence.
Sabemos
que incorremos no pecado da inveja ao escrever o que se segue. No entanto,
acreditamos que este ser-nos-á perdoado pois seria maior falha não admiti-lo
quando é merecido: uma forma de viver a fé que invejamos e que gostaríamos de
adotar.
Desejamos
as danças capazes de arrancar ao maior pé de chumbo um convicto movimento de
anca, as músicas que extraem do desafinado a afinação que ao amor encanta (que
o amor precisa) e a paixão que enlaça um grupo na amizade que nos irmana a
Jesus Cristo.
Queremos
liberdade para nos avocarmos como seguidores instruídos da palavra de Deus sem
que de olhares maninhos de quem não compreende e não conhece – e que,
infelizmente, também não procura fazê-lo – sejamos alvo. Devemos querer não temer essas miradas
de quem faz juízos de valor sem perceber e devemos querer o arrojo de aceitar a
missão de sermos trabalhadores de Cristo num mundo tão resignado e a
transbordar de passividade
– clamam saber os inconvenientes que a mudança produz ao humano corpo mas não
cuidam do bem que gera nas humanas almas.
É
pelo que descrevemos que as JMJ deixam um cunho indelével no coração de quem as
vive. Aviva a chama do Espírito Santo em nós!
O
escutar cerca de dois milhões de jovens – e não nos referimos a uma juventude
cronológica mas a uma espiritual que permite ao organismo mais derribado pela
passagem do tempo suportar os longos quilómetros, o calor sincopal e a duvidosa
alimentação – a rezar numa coletiva…unidade, de mãos entrelaçadas e de olhos
postos e corações entregues ao Céu a oração que nos foi ensinada pelo Filho, gera
no nosso espírito a inconformação necessária para iniciar a transformação que o
Papa Francisco nos pediu.
Na
efemeridade dos corpos e no evo da alma fica gravado o relume que, na miríade de
velas, tinha a sua origem mas que no seio de um catolicismo aberto e ponderado
encontrou onde produzir o seu efeito. O de, sem fanatismos, esboçar um mundo
onde a paz e o amor entre as nações possam ser alcançados, procurando extrair a
bondade, a humildade e a humanidade que temos em nós e que o próximo encerra em
si.
Escrevemos
esta reflexão desde Portugal mas desengane-se quem acredita que já regressámos…ou
que algum dia o faremos. Temos uma missão que ninguém pode realizar por nós: a
de mudar o mundo para garantirmos o nosso futuro, o futuro da Humanidade.
Esta
não foi unicamente uma viagem à Polónia. Foi também uma viagem ao íntimo das
nossas convicções.

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