Agora
que encetamos, para mais um ano, o período académico advertimos que a
periodicidade das nossas publicações tornar-se-á mais irregular e espaçada.
Todavia,
ainda a procissão vai no adro pelo
que o tempo e a disponibilidade, por ora, nos consentem umas brechas para
colocarmos neste papel binário um pouco do que nos corre na alma e anda na
mente.
As,
chamemos-lhe rubricas, “Reflexões de
sexta à noite”, sempre tiveram uma índole um pouco mais, não querendo ser
redundante, reflexiva e têm sido baseadas numa escrita crítica e tencionada mas
de modo algum leviana ou frívola.
Podíamo-nos
revestir de um discurso lhano, amorável e breve; porém acreditamos que a
mensagem que almejamos transmitir não seria recebida se a orientássemos nesse
sentido. Indubitavelmente, seria uma prosaica mais afável de oferecer, pela
parte de quem escreve, e de colher, pelo leitor, mas menos provável de gerar a
dúvida, titilar a consciência e incitar à ação pela mudança de posturas. Estar de pé é mais difícil do que estar
sentado e estar sentado é mais difícil do que estar deitado. E, pela mesma
lógica, agir racionalmente é mais difícil do que não o fazer ou, simplesmente,
reagir.
Mesmo
assim, procuramos não nos demarcar da nossa jaez “piadolas” e divertida,
ainda que, incisiva na hora de tentar cumprir o nosso escopo enquanto cidadãos
e, sobretudo, enquanto Homens que se prende em proporcionar perspetiva. Como
diz o ditado, “nem tudo é preto ou branco”.
E, claro, também criticar um bocadinho porque tal atividade faz bem à alma de
qualquer um.
Tal como
o povo que, airosamente, sabe conceder a um dito popular o sentido que se lhe
revela mais conveniente, também nós, nesta situação e de igual forma, emprestamos-lhe
a folhagem que nos resulta proveitosa. Porém, diferenciamo-nos na questão de
despirmos o rifão do propósito pueril que é mostrar que sabemos palrear o que
nos foi ensinado na escola.
Sendo
assim, a expressão “nem tudo é preto ou
branco” indicia que quando um problema se apresenta perante nós, o espetro
de opções é mais amplio do que pode parecer. Entre o preto e o branco existe
toda uma panóplia de tons de cinzento que também constituem hipóteses.
Tudo
isto para explicar que o que escrevemos e partilhamos não deve nem pode ser
tomado como a única perspetiva que aceitamos. Fazê-lo seria contrariar e trair
a nós próprios e às nossas ideias.
Acreditamos
que regemos a nossa escrita e, principalmente, a nossa vida, por valores e
princípios corretos que tomamos e defendemos com a mesma veemência com que
Darwin lutou pelas suas teorias.
E, se
nos anos vindouros acabar-se por mostrar o quanto errados estávamos, o que tememos
que aconteça motivado por um marcado declínio educacional, aqui estaremos para
nos adaptarmos a esse novo ambiente.
Será,
exatamente, esta espiral descendente educativa, o novelo de lã do qual
procederemos para tecer este intrincado texto opinativo.
E,
como é tradição em nós, estrearemos o comentário com uma lacónica história.
Nos nossos dias de experientes
basquetebolistas, quando ainda a nossa idade era assinalável pela contagem dos
dedos das mãos, alguns eram os torneios em que o nosso clube ousava participar.
Quer os jogos fossem em casa quer fossem
fora, os nossos progenitores faziam-nos a vontade de nos conduzir ao pavilhão
onde iria decorrer a afamada competição. Isto ainda que o clube oferecesse
transporte quando houvesse que ocorrer uma deslocação. Não obstante, a
manutenção e idade da camionete eram suficientemente duvidosas e, certamente, dignas
de inveja pela Betty Grafstein.
Os momentos que antecediam as partidas eram
de relaxamento para os jogadores e de algum nervosismo entre os pais. Naquele
momento, não passava de ínfimo o dito. Talvez depositassem no Sistema Nervoso
Central (SNC) as esperanças que do seu filho despontasse um talento da NBA. – Nunca
depositem qualquer tipo de substância no SNC; isso dá origem a Alzheimers e
moléstias semelhantes. Se depositarem emoções ou sentimentos brotam
episódios de mudança de personalidade que veremos a continuação. – Assim que o jogo começava, o que até então
eram senhores e senhoras bem aprumados, adornados como se estivessem a ver a
“La bohème” no Teatro Regio de Turim com o seu bonito monóculo, saiam do seu
casulo metamorfoseados em rufias de pátio de escola onde tudo vale; azémolas a
quem tudo é permitido e sem qualquer respeito pelas regras existentes.- talvez
não as vissem devidos aos antolhos presos às suas cabeças asininas.
Eram audíveis os zurros paternais – não
se excluem os maternais pois em situação de, digamos “defender” a cria, a
matrona desempenha um papel incrivelmente irascível – como “parte-lhe uma perna” ou “dá cabo dele” e ainda “arruma-lhe um na
fronha”. – Desconhecemos a justificativa que baseia este
comportamento e também a legitimidade do educador para educar quando o que lhe
sai da primeira cavidade do aparelho digestivo é igual ao que expele pela
última. Parece-nos,
a nós, que somos meros ignorantes, que se enleavam os neurónios, quem sabe pelo
calor que se fazia sentir no recinto, dos papás que assistiam, mais violentos
que os desportistas, às geniais jogadas praticadas. Debalde, tentamos perceber
a etiologia da enfermidade que tamanhas alterações na neurofisiologia pudesse
produzir.
No
entanto, não é uma reação incomum. Aliás, diz-se bastante frequente quando se
enfrenta o questionável talento dos rebentos.
Como
nós, desde cedo, revelámos toda e qualquer falta de apetência pelo desporto, os
nossos geradores – não os que dão eletricidade mas os que dão
uma… queca – estavam, desde o início, sem qualquer motivação para ornear
tamanhos disparates. Ou isso, ou ainda há quem tenha educação.
Pela
extensão e relevância que pretendemos atribuir a este assunto, cremos que a
forma mais adequada de o fazer sem nos tornarmos pesados e maçadores, será
dividir este texto em “capítulos”.
Desta
forma, na próxima “Reflexão de sexta à
noite”, apresentaremos o capítulo segundo desta opinião verborreica.

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