sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Estaremos perante um Declínio Educacional?


Agora que encetamos, para mais um ano, o período académico advertimos que a periodicidade das nossas publicações tornar-se-á mais irregular e espaçada.
Todavia, ainda a procissão vai no adro pelo que o tempo e a disponibilidade, por ora, nos consentem umas brechas para colocarmos neste papel binário um pouco do que nos corre na alma e anda na mente.

As, chamemos-lhe rubricas, “Reflexões de sexta à noite”, sempre tiveram uma índole um pouco mais, não querendo ser redundante, reflexiva e têm sido baseadas numa escrita crítica e tencionada mas de modo algum leviana ou frívola.
Podíamo-nos revestir de um discurso lhano, amorável e breve; porém acreditamos que a mensagem que almejamos transmitir não seria recebida se a orientássemos nesse sentido. Indubitavelmente, seria uma prosaica mais afável de oferecer, pela parte de quem escreve, e de colher, pelo leitor, mas menos provável de gerar a dúvida, titilar a consciência e incitar à ação pela mudança de posturas. Estar de pé é mais difícil do que estar sentado e estar sentado é mais difícil do que estar deitado. E, pela mesma lógica, agir racionalmente é mais difícil do que não o fazer ou, simplesmente, reagir.

Mesmo assim, procuramos não nos demarcar da nossa jaez “piadolas” e divertida, ainda que, incisiva na hora de tentar cumprir o nosso escopo enquanto cidadãos e, sobretudo, enquanto Homens que se prende em proporcionar perspetiva. Como diz o ditado, “nem tudo é preto ou branco”. E, claro, também criticar um bocadinho porque tal atividade faz bem à alma de qualquer um.

Tal como o povo que, airosamente, sabe conceder a um dito popular o sentido que se lhe revela mais conveniente, também nós, nesta situação e de igual forma, emprestamos-lhe a folhagem que nos resulta proveitosa. Porém, diferenciamo-nos na questão de despirmos o rifão do propósito pueril que é mostrar que sabemos palrear o que nos foi ensinado na escola.

Sendo assim, a expressão “nem tudo é preto ou branco” indicia que quando um problema se apresenta perante nós, o espetro de opções é mais amplio do que pode parecer. Entre o preto e o branco existe toda uma panóplia de tons de cinzento que também constituem hipóteses.

Tudo isto para explicar que o que escrevemos e partilhamos não deve nem pode ser tomado como a única perspetiva que aceitamos. Fazê-lo seria contrariar e trair a nós próprios e às nossas ideias.  
Acreditamos que regemos a nossa escrita e, principalmente, a nossa vida, por valores e princípios corretos que tomamos e defendemos com a mesma veemência com que Darwin lutou pelas suas teorias.
E, se nos anos vindouros acabar-se por mostrar o quanto errados estávamos, o que tememos que aconteça motivado por um marcado declínio educacional, aqui estaremos para nos adaptarmos a esse novo ambiente.

Será, exatamente, esta espiral descendente educativa, o novelo de lã do qual procederemos para tecer este intrincado texto opinativo.

E, como é tradição em nós, estrearemos o comentário com uma lacónica história.

Nos nossos dias de experientes basquetebolistas, quando ainda a nossa idade era assinalável pela contagem dos dedos das mãos, alguns eram os torneios em que o nosso clube ousava participar.
Quer os jogos fossem em casa quer fossem fora, os nossos progenitores faziam-nos a vontade de nos conduzir ao pavilhão onde iria decorrer a afamada competição. Isto ainda que o clube oferecesse transporte quando houvesse que ocorrer uma deslocação. Não obstante, a manutenção e idade da camionete eram suficientemente duvidosas e, certamente, dignas de inveja pela Betty Grafstein.

Os momentos que antecediam as partidas eram de relaxamento para os jogadores e de algum nervosismo entre os pais. Naquele momento, não passava de ínfimo o dito. Talvez depositassem no Sistema Nervoso Central (SNC) as esperanças que do seu filho despontasse um talento da NBA. – Nunca depositem qualquer tipo de substância no SNC; isso dá origem a Alzheimers e moléstias semelhantes. Se depositarem emoções ou sentimentos brotam episódios de mudança de personalidade que veremos a continuação. – Assim que o jogo começava, o que até então eram senhores e senhoras bem aprumados, adornados como se estivessem a ver a “La bohème” no Teatro Regio de Turim com o seu bonito monóculo, saiam do seu casulo metamorfoseados em rufias de pátio de escola onde tudo vale; azémolas a quem tudo é permitido e sem qualquer respeito pelas regras existentes.- talvez não as vissem devidos aos antolhos presos às suas cabeças asininas.

Eram audíveis os zurros paternais – não se excluem os maternais pois em situação de, digamos “defender” a cria, a matrona desempenha um papel incrivelmente irascível – como “parte-lhe uma perna” ou “dá cabo dele” e ainda “arruma-lhe um na fronha”. – Desconhecemos a justificativa que baseia este comportamento e também a legitimidade do educador para educar quando o que lhe sai da primeira cavidade do aparelho digestivo é igual ao que expele pela última. Parece-nos, a nós, que somos meros ignorantes, que se enleavam os neurónios, quem sabe pelo calor que se fazia sentir no recinto, dos papás que assistiam, mais violentos que os desportistas, às geniais jogadas praticadas. Debalde, tentamos perceber a etiologia da enfermidade que tamanhas alterações na neurofisiologia pudesse produzir.
No entanto, não é uma reação incomum. Aliás, diz-se bastante frequente quando se enfrenta o questionável talento dos rebentos.

Como nós, desde cedo, revelámos toda e qualquer falta de apetência pelo desporto, os nossos geradores – não os que dão eletricidade mas os que dão uma… queca – estavam, desde o início, sem qualquer motivação para ornear tamanhos disparates. Ou isso, ou ainda há quem tenha educação.  

Pela extensão e relevância que pretendemos atribuir a este assunto, cremos que a forma mais adequada de o fazer sem nos tornarmos pesados e maçadores, será dividir este texto em “capítulos”.

Desta forma, na próxima “Reflexão de sexta à noite”, apresentaremos o capítulo segundo desta opinião verborreica.

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